Pré-venda · Volume 1 da série Leander Lost

Lost na Fuseta

Um alemão que não sabe mentir. Uma vila portuguesa cheia de segredos.

Lost na Fuseta foi o livro que em 2016 inaugurou o subgénero literário alemão Portugal-Krimi, histórias policiais passadas em Portugal, escritas por autores alemães - e desconhecidas em Portugal.

Pré-encomendar · Edições Escafandro · 280 pp. · Prefácio de

Lost na Fuseta, de Gil Ribeiro — capa do livro (Edições Escafandro)

Notícias

Edições Escafandro: uma editora independente com raízes em Alcobaça

As Edições Escafandro são um projeto editorial independente nascido em Alcobaça, ligado à Escafandro – Associação Cultural. A editora foi fundada em 2012 por Nuno Matos Valente e Rita Nabais, começando por publicar projetos muito próximos da história local, da literatura infantojuvenil e da cultura portuguesa.

A primeira fase da Escafandro ficou particularmente associada à coleção juvenil de Nuno Matos Valente iniciada com A Ordem do Poço do Inferno. O livro, centrado na história de Alcobaça e do seu mosteiro, foi seguido por O Tesouro do Califa. Em 2015, ambos passaram a integrar as recomendações do Plano Nacional de Leitura para o 6.º ano, um reconhecimento especialmente significativo para uma pequena editora independente.

Ao longo dos anos, porém, a Escafandro alargou bastante o seu catálogo. A editora tem publicado obras que cruzam literatura, ilustração, património, música, cultura popular e memória coletiva. Entre os seus títulos encontram-se o Bestiário Tradicional Português, de Nuno Matos Valente e Natacha Costa Pereira, obras de caráter documental e artístico, livros juvenis e projetos dedicados à cultura musical portuguesa.

Um dos maiores sucessos da editora foi A História do Rock para Pais Fanáticos e Filhos com Punkada, de Rita Nabais, com ilustrações de Joana Raimundo. O livro ultrapassou rapidamente a dimensão nacional: conheceu edições na Suécia, Estados Unidos, México, Canadá, Reino Unido, Austrália, Brasil e Bulgária. Este percurso internacional mostrou que uma estrutura editorial pequena e regional podia desenvolver projetos com circulação muito para além de Portugal.

Em 2026, a editora continua a revelar essa vocação para projetos fortemente ligados à cultura portuguesa. Está, por exemplo, a preparar A História do Rock Português, de Rita Nabais, resultado de vários anos de investigação e dedicado a quase sete décadas de música portuguesa. O livro percorre 164 bandas e músicos e inclui cerca de mil sugestões musicais.

É também neste percurso que surge a edição portuguesa de Lost na Fuseta, de Gil Ribeiro, pseudónimo do escritor e argumentista alemão Holger Karsten Schmidt. A entrada deste título no catálogo representa uma evolução interessante para a Escafandro: ao lado de obras profundamente enraizadas na cultura portuguesa, a editora passa também a publicar uma obra estrangeira cuja visão literária de Portugal, e em particular do Algarve, é precisamente o centro da narrativa. O catálogo atual apresenta Lost na Fuseta – vol. I como uma das suas novidades editoriais.

A identidade da Escafandro parece, assim, assentar menos numa especialização rígida num determinado género literário do que numa escolha de projetos com forte personalidade. O catálogo combina história local, imaginário tradicional, música, ilustração, literatura juvenil e ficção policial, mantendo uma dimensão artesanal e independente.

Mais de uma década depois da sua fundação, a Escafandro continua sediada em Alcobaça e mantém a estrutura de secção editorial de uma associação cultural. A sua trajetória demonstra como uma pequena editora pode partir de um contexto regional, construir uma identidade própria e, simultaneamente, chegar a leitores e mercados internacionais.

Nesse sentido, o próprio nome Escafandro é particularmente sugestivo: a editora parece privilegiar livros que mergulham profundamente num universo — seja a história de Alcobaça, o imaginário popular português, a história do rock ou, agora, o universo policial e algarvio de Lost na Fuseta.

Gil Ribeiro - um pseudónimo

Holger Karsten Schmidt ocupa uma posição singular dentro do fenómeno do Portugal-Krimi. Muito antes de publicar, sob o pseudónimo Gil Ribeiro, a série Lost in Fuseta, Schmidt já era um dos mais experientes e premiados argumentistas da televisão alemã. A sua aproximação literária a Portugal não nasce, portanto, de um autor que descobre o policial através do Algarve, mas quase no sentido inverso: é um especialista da narrativa criminal que encontra em Portugal um espaço novo para aplicar — e simultaneamente transformar — décadas de experiência na construção de personagens, tensão dramática e universos policiais.

Nascido em Hamburgo em 1965, Schmidt estudou Germanística e Ciência Política em Mannheim, com especialização em estudos dos media, e posteriormente escrita de argumento na Filmakademie Baden-Württemberg, onde viria também a lecionar. Desde o final dos anos 1990 desenvolveu uma carreira extremamente vasta como argumentista de cinema e televisão. Escreveu para séries e filmes policiais, thrillers, dramas históricos e produções de grande audiência. Entre os projetos mais conhecidos encontram-se Tatort, para o qual criou a dupla de investigadores de Estugarda Lannert e Bootz, Nord bei Nordwest, Harter Brocken, Der Solist e a série em torno do detetive Finn Zehender. Trabalhou igualmente em produções como Gladbeck, Das weiße Kaninchen, Mord in Eberswalde, Mörder auf Amrum, Nebel im August e Die Toten von Marnow.

Este currículo ajuda a compreender uma das particularidades de Lost in Fuseta. Schmidt chega ao Portugal-Krimi com um conhecimento profundo dos mecanismos do género. Sabe construir investigações, distribuir informação, criar tensão e, sobretudo, desenvolver figuras policiais capazes de sustentar séries longas. O reconhecimento do seu trabalho antecede em muitos anos a aventura portuguesa: recebeu, entre outras distinções, vários Prémios Grimme, incluindo pelos argumentos de Mörder auf Amrum e Mord in Eberswalde.

A ligação de Schmidt a Portugal é, contudo, muito mais antiga do que a série. Em 1988, durante uma viagem de Interrail pela Europa, chegou quase por acaso ao Algarve. Segundo o próprio autor, apaixonou-se pela hospitalidade e cordialidade dos portugueses e passou desde então a regressar regularmente ao país. Foi sobretudo a Fuseta e o Sotavento algarvio que se tornaram importantes para ele. Schmidt descreveu repetidamente esta zona como um contraponto ao Algarve mais intensamente turístico: a Ria Formosa, as pequenas localidades e uma vida quotidiana ainda fortemente ligada à população residente conferiam-lhe, aos seus olhos, um carácter mais autêntico.

É desta relação prolongada que nasce Lost in Fuseta. Sob o nome de Gil Ribeiro, Schmidt criou o inspetor alemão Leander Lost, enviado para o Algarve no âmbito de um programa de intercâmbio policial. Lost, um investigador autista com memória extraordinária, enorme capacidade lógica e dificuldades na interpretação de códigos sociais, passa a trabalhar com colegas portugueses. O contraste inicial entre o alemão e o ambiente algarvio constitui um dos motores da série, mas Schmidt evita que a relação permaneça apenas no nível do choque cultural. Ao longo dos romances, Portugal deixa progressivamente de ser um território estrangeiro para Lost e transforma-se num espaço de pertença.

Neste sentido, Schmidt utiliza um dos mecanismos mais produtivos do Portugal-Krimi: o olhar de uma personagem estrangeira permite introduzir o leitor germanófono no país. Há comidas, expressões, ritmos quotidianos, paisagens, calor, cafés, mercados, relações familiares e formas de sociabilidade que podem ser descobertos juntamente com o protagonista. Contudo, a longa familiaridade pessoal de Schmidt com a região permite-lhe procurar algo mais do que a simples imagem de férias. O próprio autor afirmou que a sua afeição pelos portugueses nasceu já na primeira viagem e que continuou a regressar à Fuseta durante décadas. Ele e a mulher começaram inclusivamente a estudar português, depois de durante muito tempo se terem apoiado sobretudo no inglês.

A escolha do pseudónimo Gil Ribeiro também faz parte desta construção literária. Durante algum tempo, o nome permitiu separar o romancista de Portugal do argumentista Holger Karsten Schmidt, já bastante conhecido no universo televisivo alemão. Hoje, porém, a identidade é assumida abertamente pela editora: Gil Ribeiro é apresentado como o alter ego literário de Schmidt e a biografia editorial sublinha precisamente o encontro de 1988 com o Algarve e os regressos frequentes à Fuseta.

A série tornou-se um caso especialmente importante dentro do Portugal-Krimi. Os livros alcançaram posições de destaque nas listas alemãs de bestsellers; a editora Kiepenheuer & Witsch refere mais de um milhão de exemplares vendidos da série. Os direitos foram ainda comercializados para outros países, incluindo Portugal e Espanha. A partir dos romances surgiu também a adaptação televisiva alemã Lost in Fuseta, cuja primeira produção foi exibida em 2022. A RTP apresentou igualmente a minissérie em Portugal, identificando explicitamente Gil Ribeiro como pseudónimo de Holger Karsten Schmidt.

A passagem para televisão é particularmente interessante no caso de Schmidt, porque fecha de certo modo um círculo profissional. Um autor que passou grande parte da carreira a escrever diretamente para o ecrã cria primeiro Lost in Fuseta enquanto romance e vê depois esse universo regressar ao meio no qual construiu a sua reputação. A adaptação conserva o núcleo fundamental da série: Leander Lost chega de Hamburgo à pequena localidade algarvia e integra uma equipa portuguesa, confrontando-se simultaneamente com um caso criminal e com códigos sociais que nem sempre consegue interpretar.

A relação de Schmidt com Portugal parece entretanto ter ultrapassado claramente o âmbito de um único projeto policial. Em setembro de 2026 surgiu mesmo Das Lost in Fuseta Kochbuch, um livro de cozinha associado ao universo da série, com pratos desenvolvidos em colaboração com cozinheiros locais e fotografias realizadas em Portugal. O projeto mostra até que ponto a gastronomia, os mercados, o quotidiano e a hospitalidade algarvia se tornaram parte da identidade de Lost in Fuseta, já para além do enredo criminal.

Do ponto de vista do Portugal-Krimi, Holger Karsten Schmidt é, assim, especialmente relevante porque reúne três elementos pouco comuns na mesma figura. Possui o domínio técnico de um argumentista policial com décadas de experiência; mantém uma relação pessoal com Portugal que começou muito antes da criação dos livros; e encontrou na Fuseta um espaço suficientemente específico para produzir um universo reconhecível e duradouro. Portugal não funciona nos seus romances apenas como cenário exótico de uma investigação alemã. É o lugar no qual a personagem principal aprende novas formas de viver, trabalhar e relacionar-se — e é também um país ao qual o próprio autor regressa há quase quatro décadas.

Por isso, Lost in Fuseta pode ser visto como uma das expressões mais completas do Portugal-Krimi. A série contém todos os ingredientes comerciais do género — crime, sol, paisagem, gastronomia e contraste cultural —, mas beneficia de uma experiência autoral particularmente sólida. Por detrás de Gil Ribeiro encontra-se um escritor habituado a pensar narrativamente em equipas policiais, conflitos morais, ritmo, diálogo e continuidade serial. E por detrás do Portugal literário encontra-se uma relação pessoal iniciada em 1988 e mantida ao longo de décadas. É precisamente a combinação entre ofício policial alemão e afeição prolongada pelo Algarve que distingue Holger Karsten Schmidt dentro deste género.

O subgénero literário Portugal-Krimi

O Portugal-Krimi é uma vertente contemporânea do romance policial de língua alemã cuja ação decorre em Portugal. Mais do que uma designação literária rigorosa, trata-se sobretudo de uma categoria editorial: vários romances são apresentados explicitamente como Portugal-Krimi, combinando uma investigação criminal com uma forte componente de ambiente local. Séries como Lost in Fuseta, de Gil Ribeiro, os policiais de Mario Lima passados no Porto ou os romances algarvios de Carolina Conrad são exemplos desta tendência.

Uma das características centrais do género é a importância atribuída ao espaço português. Lisboa, Porto, Algarve, Alentejo ou pequenas localidades costeiras não funcionam apenas como cenário: a paisagem, o clima, a comida, o vinho, as relações de vizinhança e os hábitos quotidianos entram diretamente na construção da narrativa. Por isso, estes livros aproximam-se por vezes do chamado Urlaubskrimi, ou “policial de férias”, oferecendo ao leitor simultaneamente mistério e uma experiência imaginária de viagem. A classificação comercial de alguns destes romances associa, de facto, termos como Portugal-Krimi, Cosy Crime e Urlaubslektüre.

Outro elemento frequente é a presença de protagonistas que vivem entre duas culturas. Alguns autores recorrem a investigadores estrangeiros em Portugal, enquanto outros criam personagens portuguesas ou luso-alemãs. Essa perspetiva permite explorar diferenças linguísticas e culturais, mas também temas mais profundos da sociedade portuguesa. Certos romances vão além da imagem turística do país e abordam questões históricas, ambientais ou sociais, incluindo memórias da ditadura, conflitos locais e transformações provocadas pelo turismo.

Assim, o Portugal-Krimi situa-se entre o romance policial, a literatura de viagem e o retrato cultural. O crime fornece a estrutura narrativa, mas Portugal é muitas vezes a verdadeira segunda personagem da história. O sucesso do género mostra também como a literatura policial pode transformar um lugar estrangeiro simultaneamente em espaço de suspense e em objeto de fascínio cultural.

Pré-venda aberta

A edição portuguesa entra em pré-venda no site da Escafandro.

Agenda

Sinopse

Há mais de uma década que um género literário de enorme sucesso na Alemanha passa despercebido no país que o inspira e lhe dá nome: Portugal-Krimi*

Com mais de um milhão de exemplares vendidos, a série de sete volumes Lost na Fuseta, a mais notável do género, chega agora aos leitores portugueses pela mão irreverente das Edições Escafandro.

O primeiro volume de Lost na Fuseta leva os leitores portugueses ao espelho, na visão de um conceituado autor alemão apaixonado pelo Algarve.

Em Lost na Fuseta, o inspetor alemão Leander Lost chega ao Algarve para participar num programa de intercâmbio policial. Extremamente lógico, incapaz de mentir e pouco à vontade com as convenções sociais, integra uma equipa portuguesa precisamente quando um caso misterioso abala a tranquila vila da Fuseta. Entre pistas, diferenças culturais e os segredos escondidos sob o sol algarvio, Lost terá de encontrar o seu lugar e ajudar a desvendar um crime muito mais complexo do que parece.

Lost na Fuseta é a leitura ideal para todos os amantes do género policial e crime, um romance policial meridional, temperado pelo humor refinado de Gil Ribeiro e pela luz da Ria Formosa.

Gil Ribeiro é o pseudónimo de Holger Karsten Schmidt, conceituado escritor e argumentista alemão.

*Romance policial passado em Portugal

A Fuseta

O lugar onde tudo acontece — e que existe realmente.

O Autor: Gil Ribeiro

Gil Ribeiro é o pseudónimo de Holger Karsten Schmidt, argumentista alemão premiado, que escolheu um nome português para escrever sobre a terra que conhece há décadas: o Algarve.

Da televisão trouxe o sentido de ritmo; da Fuseta, o calor, o vento e as conversas de café. O resultado é um policial que se lê num fim de semana e cheira a maresia.

Biografia completa →

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